Histórico Coopmed

Num 14 de agosto de 1961, às 12:30 horas, portanto entre as aulas da manhã e as da tarde, reuniram-se alunos e professores de Medicina para "de livre e espontânea vontade" constituírem uma Sociedade Cooperativa, com a finalidade de "adquirir, nas melhores condições de preço e qualidade, para distribuição aos associados, os elementos necessários à sua cultura intelectual, criando serviços e praticando operações necessárias à consecução do seu programa, dentre os quais publicar por conta própria, quando possível, ou contratar empresas tipográficas, obras de interêsse dos associados, funcionando, nêste caso, como empresa editora, importar diretamente dos países de origem, livros extrangeiros para distribuição aos associados; adquirir diretamente das fábricas e editoras todo o material que contribua para o desenvolvimento da cultura geral, e particularmente o de caráter pedagógico científico e de consumo e uso escolar; instalar oportunamente oficinas próprias para impressão de livros didáticos; desenvolver o espírito cívico e de sociabilidade entre os associados, promovendo conferências, tertulias médicas, literárias e artísticas; contribuir para difusão do cooperativismo escolar e pós escolar". Assim se expressa a ata de fundação da COOPMED.

Esta necessidade e este sonho foram sustentados por importantes personagens cuja perseverança e força institucional garantiram a este ideário não somente sua realização, como lhe permitiram uma história de meio século. Como exemplo, encarregou-se de liderar esta reunião o então diretor da Faculdade de Medicina da UFMG, professor doutor Oscar Versiani Caldeira, presidindo a mesa, e como secretário Carlos Antônio Goulart Leite, e mais os Professores Drs. Roberto Junqueira de Alvarenga, José Geraldo Dangelo, Cid Ferreira Lopes, Guilherme Soares, Ildeu de Oliveira Santos, e o acadêmico Henrique Antonio Santillo, Presidente do Diretório Acadêmico Alfredo Balena.

Assim nasceu a Cooperativa Editora e de Cultura Médica Ltda - a COOPMED - que, com seus sucessivos Conselhos Administrativos, Conselhos Fiscais e associados tem procurado atender aos princípios que nortearam sua criação. Destes, o mais caro à instituição não esteve explicito naquelas finalidades listadas pelo Dr. Roberto Alvarenga em 1961. Estava posto na natureza intrínseca da constituição societária, como condição imprescindível, algo impensável de se fazer sem este princípio, e que á a proximidade e igualdade administrativa entre alunos e outros profissionais na empresa. Esta relação permitiu que diversos alunos se formassem administradores e, principalmente, fortalecessem a idéia do cooperativismo. A COOPMED pode se vangloriar de ser um fundamento do cooperativismo médico mineiro, pois de seus quadros surgiram gestores das cooperativas de crédito, de trabalho e de nossas federações.

Ainda mais, a COOPMED se consolidou como um ponto de referência, tanto para a busca da informação médica segura como para o reencontro de gerações de médicos. De seu local encolhido no porão da Faculdade de Medicina da UFMG, tornou-se uma loja de maiores dimensões, e chegou a possuir três imóveis nos seus arredores.

Também as relações interinstitucionais da COOPMED com as universidades, escolas de medicina e de enfermagem passaram a acontecer, e se fizeram tanto pelo viés comercial quanto pelo editorial, e diversos programas foram desenvolvidos. Esta proximidade institucional se exibe nos nomes daqueles professores que participaram tanto da alta administração desta Faculdade, como nas diretorias dos Conselhos Administrativos da COOPMED. Além de Oscar Versiani e Roberto Alvarenga, já citados, em outros momentos não simultâneos a seus mandatos os professores Cid Veloso (1980-1982), Edison José Corrêa e Victor Hugo de Melo (1994-1998), Geraldo Brasileiro Filho (2002-2006) e Francisco Jose Penna, atual diretor, fizeram sua contribuição para ambas instituições.

Mas os tempos não foram fáceis. Como entidade comercial, e instituição não subsidiada pelo poder público, atravessou toda a turbulência econômica e política que marcou as décadas de 60 a 90 no Brasil. Três anos depois da constituição da COOPMED iniciamos a travessia da ditadura militar instalada, e assistiu-se sua queda por um movimento social emocionante. Uma economia "de guerra" surgiu depois dos governos militares, que nos fez conhecer pelo menos 5 moedas distintas, seis planos econômicos, e uma inflação calculada em 13,3 trilhões por cento no período, e só conhecemos uma moeda forte há pouco mais de uma década. E com um agravante: a estabilização econômica desencadeou uma grande crise na estruturas bancária e comercial brasileiras, com diversas empresas que se sustentavam numa gestão pouco profissional e sem desenvoltura para a competição, como a COOPMED, viessem a quebrar e desaparecer.

Além disso, a globalização da economia praticamente liquidou o cooperativismo de consumo, restando hoje no Brasil apenas 123 singulares, e todas com foco em supermercados. Os livros agora são importados pela internet, e os meios eletrônicos de acesso às informações dominam o mercado.

A COOPMED entretanto se mantem. Já não são mais jovens os mestres e alunos que criaram a cooperativa. Mas aqueles a quem ainda se pode conviver reverenciam Carlos Antônio Goulart Leite, como aquele que sustentou a idéia nos seus primórdios e afirmam que, hoje, foram as gerações de profissionais e alunos que mantiveram aquela perseverança e esforço em sustentar uma "quase" instituição, cujo proveito é a informação confiável, a cultura no seu latu senso e um velho coleguismo, distante das redes sociais eletrônicas.

As mudanças

Para sua sobrevivência, e em nome de seus 25000 associados, a COOPMED se viu forçada a mudar. Tentando manter seus princípios modificou a gestão, profissionalizou-se, e avaliando o mercado procurou novos e diversos caminhos. Para acompanhar a tendência moderna dos planejamentos estratégicos promoveu diversas oficinas de trabalho, analisando conjunturas e avaliando perspectivas. Mantendo seu espírito lúdico realizou dois encontros aos quais chamou, de forma jocosa, "Concílios Intergaláticos". Neles se estabeleceram novas diretrizes, e três linhas estratégicas foram projetadas, sustentadas em um novo regimento: a ampliação de seu quadro social contemplando todas as profissões de saúde; fortalecimento das relações intercooperativas, com representações institucionais nos seus conselhos; e uma política editorial privilegiada. E o nome da COOPMED também se adaptou, e agora é a Cooperativa de Consumo, Editora e de Cultura Médica Ltda.

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